Sinhá Olympia

” Lá vai Ouro Preto embora, todos bebem e ninguém chora…” 

Sinhá Olímpia 

Cronologia 


Dona Olímpia Angélica de Almeida Cotta 

Nasceu: 31 de agosto de 1889 

Faleceu: em novembro de 1976 

Filiação: Coronel Gomes de Almeida Cotta e Dona Amélia Carneiro Leão da Silva Ramos. 

Trajetória de vida 

Quem visitou Ouro Preto entre os anos 50 e 70 teve a honra de conhecer a primeira hippie brasileira. Dona Olympia, ou Sinhá Olympia, não passava despercebida pelas ladeiras da cidade. E fazia questão disso. 

O visual ajudava: roupas coloridas, chapéus sempre enfeitados com flores e papéis coloridos de balas e bombons e usava bijuterias grandes, utilizava como apoio um cajado todo enfeitado com flores e tiras de papel colorido  e sempre estava com um cigarro na boca. 

Mas não foi só a aparência extravagante que a tornou figura lendária fora das fronteiras de Minas Gerais, retratada por fotógrafos e pintores, inspiração de músicos e até tema de desfile da Mangueira, em 1990. 

Era mulher de personalidade forte, sem papas na língua, e exímia contadora de histórias. 

Considerada a própria Imperatriz do Brasil, pelos estudantes galhofeiros, ela que vivia nos sonhos da corte, empunhando seu cetro e governando sobre todos, em seu mundo delirante. 

Tinha entrada garantida em todos os lugares, afinal, era a majestade suprema em Ouro Preto. 

Muitos diziam-na ex-moça rica, enganada por um pretendente, que se refugiara no mundo dos sonhos. 

Outros, mais carinhosos, diziam-na uma doçura de mulher, que resolvera se importar pouco com o mundo, como disseram Carlos Drumond de Andrade e a G.R.E.S. da Mangueira (vide Música). 

Olympia nasceu em Santa Rita Durão, distrito de Mariana , a 31 de agosto de 1889. Filha de José Gomes de Almeida Cotta e de Amélia Carneiro Cotta, era a penúltima filha de uma família de 16 irmãos.

Igreja Matriz de Santa Rita Durão onde Olympia nasceu

 Em Santa Rira Durão Olympia morou na casa aonde viveu o poeta Frei José de Santa Rita Durão escritor da obra Caramuru

Frei José de Santa Rita DurãoLivro Caramuru

 

Olympia teve boa educação – estudou no Colégio das freiras Vicentinas, em Mariana.

Gostava muito de ler, escrevia poesias, tocava piano, falava latim.

Chegou a ser professora até a idade de 20, 22 anos.

Segundo contam, foi uma jovem de beleza inigualável. Era muito cobiçada pelos rapazes da região. 
 
“Eu era uma só e todos queriam dançar comigo. Sabe o que aconteceu? A escolha era tão difícil, os rapazes eram tão bonitos, que eu acabei não casando com nenhum.” 

 É assim que Olympia justificava o fato de nunca ter se casado. Mas essa ‘solteirice’ (problema) parece ter outras origens, que inclusive remontam ao desencadeamento de sua doença. Isso se deu por volta de 1918. Olympia estava com cerca de 29 anos.

Há várias versões a respeito do fato, mas todas relacionadas à frustração amorosa. Dentre as versões, a mais difundida é que seu pai teria proibido seu casamento com o rapaz que amava, pois o mesmo era pobre, o que não convinha a uma família de posses como a sua. Em resposta, a sogra lhe enviou uns abacates enfeitiçados. Depois de comê-los, Olympia não foi mais a mesma.

Primeiro, ela entrou em um estado de depressão – passou por uma fase silenciosa, triste, séria. Gostava de ficar na janela. Chorava muito, falava sozinha. Foi aí que Olympia começou a contar histórias.

Alguns anos depois, em 1929, Olympia se mudou para Ouro Preto com a família. Gostava de visitar seus familiares, mas estes começaram a se cansar de suas visitas, considerando-a por vezes inoportuna, passando a evitar recebê-la. Com isso começou a perambular pelas ruas.

Nessa época, ainda se vestia com roupas normais, mas já era conhecida pelas suas histórias que contava, ‘sem pé nem cabeça’. Além dos moradores da cidade, gostava de andar com os estudantes, que muitas vezes a convidavam para beber cachaça com limão.

Dona Olímpia, ao perceber, nas primeiras décadas de sua vida, que não ia mesmo se casar, caiu no mundo. Teve forças para ignorar a pressão da sociedade que a envolvia, mas resolveu ver de perto.

Roupa? Era simples. Bastava inventar, usando um vestido sobre o outro. Gostava de usar muitas saias – uma por cima da outra, muita maquiagem, unhas vermelhas. Suas roupas, muito coloridas, eram acompanhadas por chalés e chapéus floridos e cigarro na boca.

Olympia e o cigarro

Passou a andar com um cajado na mão, peça da qual jamais se separava, era, inicialmente, um cabo de vassoura, depois um pedaço de bambu e no final, começaram a fazer para ela outros, mais bonitos, torneados. Mas todos eles eram decorados com flores, penas, papel de bala, flores de papel crepom, santinhos, pacotes vazios de cigarro, fotografias, broches…

D.Olympia com um de seus cajados

Desde cedo, Olympia ia para a Praça Tiradentes, onde, tal como um guia turístico, ficava a espera dos visitantes. Passava o dia inteiro com os turistas – contando seus causos, tirando fotos, pedindo ‘o dólar’.

Olympia atribuía a si mesma uma função social: era protetora dos pobres e dividia com eles suas esmolas. Não que ela precisasse de esmolas, mas ela adorava pedir. Pedia dinheiro aos turistas, pedias cigarros, bonecas…

Olympia não passava desapercebida, e ela gostava disso, de chamar a atenção. Sua fama ultrapassou os limites de Minas, chegando a ser internacionalmente reconhecida. Foi capa da revista Times, participou do Programa do Chacrinha, retratada por fotógrafos e pintores, inspirou músicas e poemas, foi tema de samba enredo da Mangueira, conheceu Juscelino Kubitscheck, Tancredo Neves, Vinícius de Moraes, Rita Lee e muitos outros famosos. Recebia cartões e presentes do mundo inteiro. Cartões vindos da Inglaterra, Chapéus do mercado das pulgas de Paris, medalhas moedas e outros presentes de várias partes do mundo, chegavam pelo correio.

Mesmo assim, Olympia, como tantas outras figuras da rua, não escapava à zombaria das crianças. Nestas, ela provocava um misto de medo e admiração. Os meninos mais corajosos gostavam de chamá-la de ‘homem’, por causa da voz grossa e pelos no rosto. Ela respondia com gestos indecentes e mesmo sem usar nada debaixo da roupa, levantava a saia e mostrava que não. Nessas horas, falava cada palavrão…

Depois de 1970, cansada, deixou de subir à Praça Tiradentes. Costumava ficar sentada à porta da casa. Em 1976, aos 87 anos, faleceu, vítima de arteriosclerose. Ela que havia nascido em 1888 segundo consta de um papel carimbado por um cartório local. Ela que viveu entre sonhos e quimeras todo o esplendor do século XVIII, sem que nenhum cartório tenha registrado isto. Foi sepultada no cemitério da Igreja São José.

Ah meus meninos, vocês são novos e não sabem o sofrimento que passei. Fui obrigada a fazer promessa de pedir esmolas, sair mendigando para socorrer aos pobres e também valer a minha pessoa. Eu fiquei sem coisa alguma. Agora, imagina você meu filho, que martírio, sem o povo saber porque que eu ando mendigando, porque que eu ando como uma mendiga, no meio da rua, pedindo… E ganho tudo, e protejo a quem não tem. Com a graça de Deus.”

(Fala de Olympia, extraída do curta D. Olímpia de Ouro Preto, Alberto Sartori)

 

Histórias

Contava histórias de nobreza, nas quais transitavam personagens como Princesa Isabel, Tiradentes, Chico Rei, Dom Pedro I e II. Entretanto, colocava-se a si mesma, como fazendo parte destas histórias.

Amigos Fictícios

Dizia-se muito nobre e rica, descendente da família real, por vezes parente de Dom Pedro ou então do Marquês do Paraná. Atribuía-se o título de princesa, tendo sido coroada imperatriz, teria alforriado escravos, fora amante de Chico Rei… 

 

Para ela, nada disto importava. Coisas do nosso tempo, do nosso mundo tão chato, tão medíocre… tão previsível. Para ela nada disto valia, se era verdade ou se era invenção, se era real ou se era delírio. Delírio, isto sim. Sua vida era bela, era fascinante de emoções porque “ela” acreditava naquilo que contava. E vivia intensamente, cada baile, a dor de cada romance. Transformava tudo que julgamos “mentira, na mais fiel realidade”. A realidade do mundo irreal em que vivia. Que se passava nas ruas da Vila Rica dos Inconfidentes. Assim era o que se dizia… 

  

Amigos Reais 

Nas suas andanças pela cidade  conheceu muita gente importante e tinha amigos famosos tais como Vinícius de Morais e Juscelino Kubitschek. Foi considerada por Rita Lee a primeira hippie do Brasil e transformou-se em musa de Carlos Drumond de Andrade e de Milton Nascimento. 

Conversas com JK e Tancredo :  

A contadora de histórias também conheceu Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves, entre outros presidentes. “Olympia adorava Tancredo Neves! Sempre que ele visitava Ouro Preto, ela conseguia passar no meio de todo mundo: polícia, leão de chácara, para chegar até ele, dizia o saudoso Padre Simões.

Amigos Reais

 
Lendas

 Meu nome é Olympia Angélica de Almeida Cotta. Sou filha do Coronel  José Gomes de Almeida Cotta e de Dona Amélia Carneiro Leão, Marquesa  do Paraná. Eu nasci em Santa Rita Durão mas o destino infernal me carregou pra Vila Rica. Me carregou para penar e sofrer com esse povo. Eu nasci no ano de 1889. Sinceridade, senhora das Mercês, compadecei de mim. Misericórdia. Socorro! Amparai-me. Livra-me dos inimigos. •Amor tive um só. Uma vez, detrás da rótula do sobrado número 16, onde morava, meu coração bateu mais forte porque meu pretendente predileto vinha batendo saltos na calçada. Ele trazia flores, mas não me casei com ele nem com ninguém.  Meu pai, o coronel José Gomes de Almeida Cotta disse que ele não era homem para mim já que o senhor pode saber e assuntar por aí que eu sou descendente do poeta Santa Rita Durão, que venho de uma linhagem de nobres e não poderia nunca ter por esposo um republicano. Um daqueles que maquinam a derrubada da nobreza. Digo a você, meu jovem: Era um pretendente por demais belo. Me deu um abacate, um dia. Não poderia me ter e me deu um abacate. Um abacate amargo. Ó, ainda sinto seu fel na boca até hoje. O meu último homem foi Juscelino. Era meu noivo mas nunca dei esperanças. Vinha aqui em casa me cortejar, mas amores e abacates nunca mais. Vou ficando por aqui, meu jovem. Se for do seu conforme, me dê uma moeda. Se não, me dê um papel de bala, um toco de cigarro ou qualquercoisa que o senhor achar que sou merecedora. Meu mundo carrego aqui. Minhas riquezas são vossos presentes. Que Deus seja louvado! Não há de faltar chapéu para a minha cabeça, ainda que eu viva mais 20 anos.”

 “Lá vai Ouro Preto embora, todos bebem e ninguém chora…”

 SINHÁ  OLYMPIA

 Depoimentos

• Há mais de quatro décadas pároco da Igreja Nossa Senhora do Pilar e máxima autoridade religiosa de Ouro Preto– in memória desde o início de 2009 -, Padre Simões não sabia detalhes da vida amorosa de Dona Olympia, mas conheceu bem os hábitos da “dona carochinha”, que adorava uma cantoria dentro da Igreja. “Olympia costumava tocar piano na juventude. Tinha uma voz linda, que depois foi ficando mais grave. Às vezes, eu precisava dar uns pitos porque ela cantava muito alto ou fora da hora, mas ela tinha um respeito impressionante por mim”, lembrava Simões, que esteve ao seu lado nos últimos dias de vida, na casa onde hoje funciona a tradicional cachaçaria Milagre de Minas. “Depois que ela se foi, encontramos debaixo de sua cama notas e mais notas de dinheiro dos mais diferentes países. Não precisava disso, mas adorava pedir dinheiro aos turistas”.

 

• Autor do livro “Jacubas e Mocotós”, sobre as figuras que fizeram história nos paralelepípedos de Ouro Preto, o escritor, artista plástico e compositor Wandico Alexandre da Silva, de 68 anos, tem admiração pelo povo da rua. “Dona Olympia era uma figura de expressão dramática. De longe você percebia a chegada dela, pelo odor característico de cigarro. Era muito educada e só se irritava quando a meninada mexia com ela. Os chamados loucos da rua são pessoas que nos ensinam muito, são filósofos da vida. É dessa turma que eu gosto”, poetiza. 

• Tema de exposição no Centro de Convenções da cidade, Olympia Angélica de Almeida Cotta ficou famosa, como intuiu décadas atrás. “Uma vez estava pintando na rua, em frente à casa de Olympia, e pedi para ela guardar meu cavalete enquanto eu almoçava” comenta o artista plástico Zé Nelson, de 63 anos, que pintou um quadro em homenagem a ela para a exposição. “Ela me disse o seguinte: ‘Você quer ficar famoso? Então tem que me pintar’. Quarenta anos depois, segui o seu conselho”.  

 
 
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Published in: on 19/12/2009 at 9:16  Comments (1)  

O postal

Postal escrito por Dona Olympia

Published in: on 14/09/2010 at 12:34  Deixe um comentário  

Reportagens em Jornais sobre Dona Olympia

Arquivo: Lúcia Cotta Faria

Flyer Festival de Inverno de Ouro Preto 2006

Fonte: Jornal Hoje

Published in: on 14/09/2010 at 12:22  Deixe um comentário  

Depoimento de Toninho Horta sobre Dona Olympia

Trecho de uma entrevista do cantor e compositor Tonhinho Horta dada ao Blog  http://apologo11.blogspot.com/2008/11/uma-entrevista-indita-com-o-msico.html onde ele fala do contato com Dona Olympia

Toninho, particularmente, acho que sua composição “Dona Olímpia”, do disco “Terra dos pássaros”, uma das mais tocantes e emotivas da MPB instrumental. Pareceu-me que ela (a senhora que inspirou a música) encerrou seu depoimento chorando aquele dia – há uma carga emocional muito forte encerrada naquela música. Você poderia comentá-la?

R: Eu conheci Dona Olímpia através de Luiz Alberto Sartori de Minas Gerais, cineasta, amigo de adolescência, que quis fazer um documentário com ela, que era uma pessoa descendente de imperadores, que deu uma “pirada de cabeça”, teve distúrbios – um tipo popularíssimo da ruas de Ouro Preto. Ela se trajava muito bem, de uma maneira exótica, com flâmulas, chapéus – uns quarenta diferentes! –, roupas coloridas, sapatos gastos, e ela tinha como intenção arrecadar dinheiro para uma sobrinha dela se formar em universidade. Então, ela fez uma promessa de pedir dinheiro nas ruas. Ela tinha por costume contar histórias da época do Império, de sua família, isto, sempre mendigando. Eu participei desse documentário e acompanhei parte das filmagens, e utilizei parte dela em meu disco. Quando foi gravado aquele take, eu estava presente e me emocionei muito com sua sinceridade – uma pessoa boníssima, maravilhosa, um caráter incrível – , e ela acaba a fala chorando. Eu fiz 4 músicas para o filme, que viraram sucesso: Dona Olímpia, Aquelas coisas todas, Serenade e Pilar.

Published in: on 14/09/2010 at 10:50  Deixe um comentário  

Obras de Elisa Penna

Sinhá Olímpia 1,10 x 0,70

Published in: on 14/09/2010 at 10:31  Deixe um comentário  

Música Olímpia, de Edion Lima (Ouro Preto)

Vídeo com imagens da Dona Olímpia Cota, figura tradicional de Ouro Preto, a “1ª hippie do Brasil”, e fundo musical interpretado por Vicente Gomes(Grupo Viola de Folia) com a música Olímpia, de Edion Lima (Ouro Preto)

Published in: on 08/09/2010 at 11:59  Deixe um comentário  

CLIP FILME ENTREVÍRGULAS SINHÁ OLÍMPIA A NOIVA DE OURO PRETO.MPG

FECHANDO CICLO DE HOMENAGENS A PRIMEIRA HIPPIE DO BRASIL, O ARTISTA MULTIMÍDIA VALFREDO GARCIA APÓS 28 ANOS DE PESQUISA E USANDO VÁRIAS EXPRESSÕES ARTÍSTICAS COMO APRESENTAÇÕES TEATRAIS, MÚSICAS, EXPOSIÇÕES, PERFORMANCES NAS RUAS, TOUR DE OURO PRETO NA PERSONAGEM, ASSINAR RELEITURA DE CHAPÉUS, QUER BRINDAR O MUNDO COM ‘ENTREVÍRGULAS’ CONTANDO UM POUCO DA HISTÓRIA DE DONA OLÍMPIA COTTA PEMEANDO SUA PRÓPRIA HISTÓRIA E FORMAÇÃO ARTÍSTICA. SOB SUA DIREÇÃO E ATUAÇÃO, COM DIREÇÃO MUSICAL DE TONINHO HORTA COM QUEM DIVIDE TRÊS MUSICAS. A ESTE FRAGMENTO PODERÁ SER COMPLETADO ENVIANDO SEU PEDIDO PARA filmeentrevirgulas@hotmail.com

Published in: on 08/09/2010 at 11:42  Comments (1)  

History é um canal de televisão norte-americano por assinatura cuja programação se vira essencialmente a conteúdos de teor histórico, se bem que alguns dos seus programas têm uma componente actual…. 

Published in: on 04/02/2010 at 8:39  Deixe um comentário  

Inspirações

A extrema sensibilidade e a capacidade imaginativa de Olympia despertaram a atenção de diversos artistas e dos meios de comunicação nacionais e internacionais: foi retratada por vários artistas das mais diversas áreas como Toninho Horta e Ronaldo Bastos  que compuseram a música  Dona Olímpia para o disco duplo Clube da Esquina 2, lançado em 1978 por Milton Nascimento; foi inspiração de uma oficina de moda no festival de inverno de 1998 em Ouro Preto ministrada por Ronaldo Fraga; chegou a ser capa da revista Life!; deu nome à Escola de Samba Sinhá Olympia de Saramenha em Ouro Preto;  foi tema de samba enredo da Mangueira em 1990, com o desfile Deu a Louca no Barroco onde a retrataram em alas e em carros suas histórias, falas e lugares que ela freqüentava; foi retratada na peça teatral  Olympia (2001) que é um solo de Ângela Mourão, com direção de Marcelo Bones e texto de Guiomar de Grammont na qual o figurino valoriza  mais as características psicológicas do que as características estéticas da personagem a partir de roupas simples, sem sobreposições e com cores pastéis, totalmente inverso ao figurino utilizado pela Dona Olympia;  foi retratada por vários fotógrafos e pintores como Z’Nelson, Roberto Sussuca, Esteves, Heder Paulus;  foi tema de um filme feito  por Luiz Alberto Sartori Inchausti (1970 – 1971) na qual, a partir de um registro imperdível, de valor inestimável, Sartori nos possibilita “encontrar” Olympia, com muita sensibilidade e leveza. Vemos eternizada, na voz rouca da sinhá, suas histórias, seu peculiar uso da linguagem, de seu jeito de se vestir, enfim, um pouco de seu cotidiano; foi tema do Festival de Inverno de Ouro Preto no ano de 2006; Foi inspiração de uma grife de chapéus, dois textos teatrais que geraram um longa metragem Entre Vírgulas (1999) e um cd  feitos pelo ator baiano Wafredo Garcia e por último foi tema de um documentário feito pela Rede Minas, que foi exibido no dia 02 de novembro de 2009.

Veja abaixo o vídeo com parte do documentário da REDE MINAS

Published in: on 04/02/2010 at 8:17  Deixe um comentário  

Escola de Samba Sinhá Olympia

A escola de samba SINHÁ OLÍMPIA  foi criada em 1975, em homenagem à personagem folclórica de Olímpia Cotta. A escola  desfila todo ano abordando  temas relacionados com a história e cultura de Ouro Preto.

Na época em que  D. Olympia era viva ela sempre participava dos desfiles e mesmo quando estava na cama doente ela dava um jeito de chegar na janela para ver e ouvir  os integrantes da escola de samba se apresentando em frente á sua casa.  Jefferson, presidente da escola de samba, lembra que  numa dessa visitas da escola de samba á casa de Olympia ela disse á ele : ” Gostaria de ter os cabelos de Dalila e a força de Sansão para poder abraçar os meus afilhados”

Quando D. Olympia faleceu  o presidente da escola  Jefferson de Oliveira Filho herdou da família de Olympia todas as roupas deixadas por ela e como homenagem uma das senhoras da escola sai todo ano vestida como D. Olympia, juntamente com um boneco gigante que sai no carro abre – alas.

D. Dodora, moradora de Ouro Preto, cuida do acervo de roupas da Sinhá Olympia herdadas pela escola de samba Sinhá Olympia, e que costuma vestir-se de Sinhá saindo pelas ruas do centro histórico e principalmente no carnaval á frente da escola.

Rosto do boneco da Sinhá Olympia que sai todo ano na escola

Um dos chapéus de D. Olympia herdados pela escola

Rosto do boneco de D. Olympia e chapéus usados em uma ala que todo ano a homenageia

Samba enredo do carnaval de 2010

Published in: on 19/12/2009 at 9:22  Comments (1)  
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